A afirmação identitária é estrategicamente reproduzida pela indústria cultural, que retroalimentada pelos fluxos monetários advindos do turismo e do entretenimento, encontra fortes bases na “música baiana”, sintetizada com o termo axé music, vertente hoje flagrantemente voltada ao comércio musical e que não abrange a totalidade da música local, ilustrada pelos “Caymmis”, “Rauls” e “Caetanos”, apresentadores de canções elaboradas que passaram a não agradar os ditames de uma “máquina” cultural.
Nessa linha, indispensável apontar a superior festa “popular”, carnaval (e os festejos sacro-profanos que o antecedem), pois essas idealizavam em seus discursos a igualdade, mas se transformaram em negócio. Fato que pode ser claramente notado nas letras e melodias propositadamente fáceis entoadas do alto do trio elétrico, fazendo da qualidade algo preterível, tal qual crescimento no número de blocos e dos ostensivos camarotes, promovendo, por conseguinte, a segregação entre a massa popular e a massa elitizada, para fortalecimento do “Produto Bahia”, com empenho do Estado através das propagandas para turistas brasileiros e estrangeiros, veiculando estereótipos, folclorizando a cultura popular pela massiva.
Em outro âmbito, avalie-se a promoção do São João com nova roupagem para atrair mais uma vez a atenção para a Bahia (assim como em todo o Nordeste). A festa tornou-se luxuosa, as atrações artísticas reconfiguram o contexto, as fogueiras são eliminadas ou estilizadas e as vendas continuam garantidas.
Há um condicionamento permeando os produtos culturais no “Estado da Alegria”, onde o povo socialmente suprimido pelo cotidiano, não percebe o engendramento da indústria cultural em suas vidas, com o discurso de leveza, facilidade e fantasia. A reação contrária se forma ainda de maneira tímida, enquanto a perpétua indústria cultural caracteriza a Bahia como palco dos festivais de todas as estações, Bahia carnavalizada, do pão e circo.
Vânia Santtana
Vânia Santtana





