segunda-feira, 9 de maio de 2011

Estoque de Valores


Antigamente tinha a sensação de que QUASE TUDO no mundo era vendável. Por vezes (muitas) chego a inclinar à crença de que TUDO é negociável, mas receio uma tendência a ser radical.
O dinheiro há tempos inventado como mera comunicação material, hoje circunda o(s) universo(s) como senhor das almas, espectro entre "humanos".

Quanto ganha? Quanto compra? Quanto tem? Essas se tornaram perguntas presentes em questionários aplicados, ora diretamente, ora sob um manto de disfarce, no simples ato de "conhecer" alguém.
Bondade, caráter, honestidade, figuram entre interesses secundários.
Diálogos primeiros, segundos e terceiros não mais se concentram em arte, ações humanitárias, espiritualidade, pois as antes "in-musicadas" cifras monetárias são hoje  tocadas para que em nossas mentes sejam fixadas e mantidas como centro de abordagem.
Será que fomos resumidos a estoque de valores? Será que valemos à pena e apenas pelo que o nosso cartão de crédito sustenta?
Um dia desses, para poupar tempo, ao sentarmos numa mesa com alguém que pouco ou nada nos conheça, teremos que apresentar aviso de crédito antecipado para que o estabelecimento do laço seja ou não autorizado.
Digno de desespero!

Vânia Santtana

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