segunda-feira, 9 de maio de 2011

"Desumor"


É... tudo se aguenta: histeria coletiva no ônibus lotado, computador travado, prazo apertado, declaração atrasada e o leão com a boca bem aberta me sacando... e sacaneando.
Passada a hora do rush, momento de buscar amenidades.
Tentadoramente o controle remoto salta aos olhos como tábua de salvação mental, no entanto, ao invés de alívio, novo desespero: a inteligência é liquidificada pelos micropontos coloridos que impõem as imagens das "novas" atrações de humor. Não era para ser suave e engraçado?
O que se vê é sexo, preconceito e falta de nexo, partindo da TV, permeando a sociedade e voltando para a TV como realidade “parodiada”, num nefasto ciclo de horror.
Para tornar algo "risível" é necessário ser desprovido de consciência social?
O humor não tem obrigação de levantar bandeiras, entretanto, como legítimo formador de opinião, não deve ser irresponsável a ponto de desrespeitar a diversidade sócio-cultural.
Seria mesmo a formatação escorada nos estereótipos o único combustível do humor?
Nos padrões atuais, reflete-se um ancoramento de discurso no qual o preconceito é velado no cômico e a agressão recebe abrigo na "inocência" das atrações humorísticas.
Para piorar a situação e consolidar a falta de graça, surge o riso eletrônico para pontuar o momento de gargalhar e, pelo visto, deve estar cumprindo o seu papel, reforçando a idéia da não tão equivocada idéia da teoria hipodérmica.
É... tudo se aguenta: ônibus, computador, imposto de renda... só não dá pra tolerar essa impudente tentativa de controle mental.

Vânia Santtana e Márcio Antônio Santana

Estoque de Valores


Antigamente tinha a sensação de que QUASE TUDO no mundo era vendável. Por vezes (muitas) chego a inclinar à crença de que TUDO é negociável, mas receio uma tendência a ser radical.
O dinheiro há tempos inventado como mera comunicação material, hoje circunda o(s) universo(s) como senhor das almas, espectro entre "humanos".

Quanto ganha? Quanto compra? Quanto tem? Essas se tornaram perguntas presentes em questionários aplicados, ora diretamente, ora sob um manto de disfarce, no simples ato de "conhecer" alguém.
Bondade, caráter, honestidade, figuram entre interesses secundários.
Diálogos primeiros, segundos e terceiros não mais se concentram em arte, ações humanitárias, espiritualidade, pois as antes "in-musicadas" cifras monetárias são hoje  tocadas para que em nossas mentes sejam fixadas e mantidas como centro de abordagem.
Será que fomos resumidos a estoque de valores? Será que valemos à pena e apenas pelo que o nosso cartão de crédito sustenta?
Um dia desses, para poupar tempo, ao sentarmos numa mesa com alguém que pouco ou nada nos conheça, teremos que apresentar aviso de crédito antecipado para que o estabelecimento do laço seja ou não autorizado.
Digno de desespero!

Vânia Santtana